Núcleos Museológicos

Programa Educativo do Museu

No âmbito da Parceria estabelecida com o Agrupamento de Escolas Fernando Távora, que aprovou o Programa Educativo do Museu, para além de muitas outras atividades que tem vindo a ser desenvolvidas, foram criados dois Núcleos Museológicos Temáticos, a saber:

  1. Na EB1 do Motelo
    Núcleo Museológico O LINHO
  2. Na EB1 Senhora da Conceição
    Núcleo Museológico A VINHA E O VINHO

Núcleo Museológico Temático
“O Linho”
EB1 do Motelo

O Programa Educativo do Museu de Agricultura de Fermentões, que resulta de uma Parceria celebrada entre a Casa do Povo de Fermentões e o Agrupamento Fernando Távora, para além de outras iniciativas, prevê a criação de Núcleos Museológicos Temáticos, nas diversas Escolas do Agrupamento.
É, assim, e neste contexto, que é organizado o Núcleo Museológico Temático – “O LINHO” – na EB1 do Motelo, iniciativa que mereceu, desde logo, também, o apoio da Associação de Pais da Escola, que se associou à iniciativa.
O espólio museológico do Museu de Agricultura de Fermentões existente neste Núcleo Museológico é, precisamente, o mesmo que, ano a ano, a Casa do Povo coloca, no espaço que, para o efeito, lhe é reservado, na Feira Afonsina, na Cidade de Guimarães.
Assim sendo, é compreensível que, doravante, a EB1 do Motelo venha a fazer parte da Parceria, com a Casa do ovo de Fermentões, em futuras iniciativas da Feira Afonsina de Guimarães, em que participam, também, o Museu de Agricultura de Fermentões e o Centro de Dia da Casa do Povo de Fermentões.
O tema escolhido, para este Núcleo Temático, é, precisamente, o linho, até porque esta Escola está localizada num terreno que pertenceu à Quinta do Loureiro Novo, que, até meados do Século XX, esteve, também, relacionada com os diversos Ciclos do Linho, nesta Freguesia de Fermentões.
No espaço deste Núcleo Museológico podemos encontrar, então, utensílios diversos, que foram usados, em trabalhos do Ciclo do Linho, que podemos encontrar, devidamente, descrito, num quadro existente numa das paredes do edifício, e que pode servir, também, para o processo de aprendizagem, nesta Escola, e noutras que, naturalmente, aqui virão, no âmbito das parcerias que, para o efeito, serão estabelecidas.

Descrevem-se, aqui, então, as diversas fases do trabalho do linho.

SEMEAR
A variedade do linho cultivada nesta zona – linho galego – é semeada na Primavera, no fim de Abril ou Maio, e requer um terreno bem estrumado e preparado, primeiro com o arado, depois com a enxada e, finalmente, com a grade. Antes de semear ainda se tiram as ervas e a felga com ancinhos. Depois de semeado, o linho é regado com frequência e mondado até à colheita, normalmente em Junho.
ARRANCAR
Em Junho, quando a planta já está com a haste amarelada, é arrancada, quase sempre pela raiz, para aproveitar todo o comprimento do caule.
RIPAR
As plantas arrancadas trazem ainda a “baganha” (semente), que é preciso separar do caule. Esta operação é feita com os ripeiros ou ripanços, que podem ser de vários tamanhos e tipos. Aqui podemos ver um dos maiores exemplares que se conhecem. São colocados em cima de carros de bois, ou presos nos cabeçalhos dos carros. Vários homens trabalham ao mesmo tempo nestes ripeiros, passando as “manadas” de linho pelos dentes do ripeiro, de forma a tirar-lhes a “baganha”. Esta guarda-se em sacos, depois de joeirada.
ENRIAR
As “manadas” de linho já ripado são apertadas em molhos e levadas para o rio, para fazer a curtimenta. Esta operação consiste em deixar o linho submerso na água, durante 6 a 8 dias, a fim de separar as partes lenhosas do caule das fibras que vão ser utilizadas como têxteis. Para manter os molhos cobertos pela água são pisados e tapados com ramos e pedras. O transporte para o rio era feito em carros de bois e animado pela festa.
SECAR
Quando o linho está pronto, é lavado e posto a secar ao sol, normalmente em bouças onde há vegetação rasteira. Dispõe-se em molhadas e aí permanece perto de quinze dias
MALHAR
Uma vez seco, estende-se o linho na eira, onde é batido com malhos, preparando-o para a operação seguinte.
MACERAR ou MOER
O linho é moído num engenho formado por um “tambor” rotativo canelado, em que engrena uma série de roletes, também canelados, dispostos à sua volta”. Este engenho é movido por tração animal. O linho é colocado em camadas, de forma a cobrir completamente o tambor e, depois de um lado, é virado e moído do outro. Retira-se em seguida e dispõe-se em molhos.
ESPADELAR
Ao sair do engenho, a parte lenhosa do linho vem partida, mas é ainda necessário retirá-la, bem como as partes mais grosseiras da fibra. É a isso que se destina a espadelada, em que o linho é batido com um cutelo de madeira, chamado espadela, em cima de uma tábua, chamada espadeladouro.
ASSEDAR
Depois de limpas de impurezas, as fibras são separadas por comprimentos e espessuras. As mais longas e finas formam o linho propriamente dito, as mais curtas e grosseiro, a estopa. Para isso usam-se os seleiros, instrumentos com dentes de aços finos e serrados, nos quais se passam as estrigas de linho. A estopa que fica, antes de ser fiada, tem que se submeter ainda a outra operação.
FIAR
A fiação do linho faz-se já nos últimos meses do ano. As mulheres vão aproveitando o tempo de que dispõe para fazer este trabalho, juntando-se normalmente quando já estão perto do fim numa festa, a fiada, com cantos e danças. A fiação, pode ser feita com a roca e o fuso ou com o auxílio da roda de fiar. Depois de fiar, põe-se o linho em meadas, com o sarilho. Estas meadas são pesadas numa balança especial, pois nos casos em que o linho era entregue para ser fiado por pessoas estranhas à família. Era pago conforme o peso.
BARRELAR
Antes de dobar e tecer as meadas é necessário branqueá-las. Em primeiro lugar, dissolve-se cinza em água até formar uma pasta, onde se embebem as meadas. Esta cinza é obtida de madeiras escolhidas, tais como casca de pinheiro, vide, ou oliveira e peneirada para não deixar passar os carvões. Depois cozem-se as meadas ao lume em grandes potes de ferro com água a ferver, juntamente com cinza e sabão. Mantêm-se a ferver durante todo o dia, juntando-se água, sempre que preciso, para manter as meadas cobertas. No dia seguinte retiram-se, deixando-se arrefecer e lavam-se. Seguidamente, Colocam-se as meadas num “barreleiro” (cesto alto de trama muito apertada), cobrem-se com um pano e, por cima, espalham-se. Vai-se deitando água a ferver e mantêm-se o barreleiro quente durante vários dias.
URDIR
Preparar a teia, metendo o fio na Urdideira, para tecer.

DOBAR E TECER
Uma vez prontas as meadas, resta unicamente uma operação antes de preparar o linho para ser tecido, dobar o fio das meadas para novelos, utilizando-se para isso a dobadoura. Temos assim o fio pronto para fazer a urdidura da tela e o fio da trama. É então tecido em tear manual, como o que aqui está exposto.
BORDAR
Depois de tecido, o Linho era colocado em grandes caixas “Caixa do Bragal”, como quem guardava um tesouro.

Texto retirado, com adaptações de “Museu de Agricultura de Fermentões”, de Manuel Ferreira.

Núcleo Museológico Temático
A Vinha e o Vinho
EB1 Senhora da Conceição

Tratando-se de um Museu de Agricultura, é fácil compreender-se que tenha havido a preocupação de se dedicar uma boa parte do seu espaço disponível, para um “Núcleo Museológico do Vinho”, cujos custos foram suportados, na base de uma Parceria celebrada com a Associação SOL DO AVE, no âmbito do Projeto Europeu WITRANET, liderado pela RECEVIN – Rede Europeia das Cidades do Vinho, com Sede no Município de Vila Franca del Penedés, Província de Barcelona, Espanha, e cujo objetivo consistiu, precisamente, na organização de uma “Rede Europeia de Museus do Vinho”.

O “Núcleo Museológico do Vinho” do Museu de Agricultura de Fermentões chegou, mesmo, a integrar a Rede Europeia dos Museus do Vinho, para o que era exigido que o Município de Guimarães fosse admitido, como Membro da RECEVIN, o que aconteceu, à altura.

No entanto, não se sabe como tal aconteceu, a verdade é que a Câmara de Guimarães desistiu, há anos atrás, de ser Membro da RECEVIN e, então, o nosso Museu foi excluído daquela Rede Europeia. O que se lamenta.

Dado o impacto que este tema ocupa, no Museu, pareceu oportuno, assim, a apresentação, neste documento, do texto de um panfleto organizado pelo, então, Director do Museu, Jerónimo Ferreira, editado pelo Museu, para a Exposição organizada sobre “O Vinho Verde na Região de Guimarães”, documento que, então, aqui reproduzimos:

O Vinho Verde na Região de Guimarães

“O Vinho Verde”, há mais de dois mil anos, cantam, nos nossos Lagares, já era bebido pelos Romanos, nas suas invasões. E descrito pelos seus Historiadores.

Este vinho acompanha a nossa História, surgindo no Século X, na “Carta do Herdamento de Santa Eulália de Nespereira, e no decorrer dos séculos, em tantos e tantos documentos.

Em pé, a trepar pelas árvores, em latadas e ramadas, a procurar o Sol, faz parte da nossa vida, fará parte dos nossos filhos.

Todo este trabalho vindo de longínquos anos, até hoje, enche de beleza e cor a nossa Terra.
Entendeu, então, a Casa do Povo de Fermentões, com a simplicidade de quem conta a sua Família, o seu lar, o seu dia-a-dia, mostrar todo o trabalho de plantar, enxertar, podar, sulfatar, vindimar, pisar e mais tarefas ligadas ao vinho verde, na singeleza dos instrumentos, num alegre abrir da alma minhota:-

  1. Logo no princípio do ano, o Agricultor começa a plantação ou o mergulho da videira, utilizando ferramentas rudimentares.
  2. Até 19 de Março, dia de São José, quer chova quer caia neve, a poda terá de ser feita
  3. Pela enxertia, pode forçar-se uma árvore a frutificar, bastando que sobre ela se enxertem alguns “garfos” ou “borbulhas”, provenientes de árvores de outras espécies
  4. A sulfatação começa logo que rebentem as folhas nas videiras. Quase todos os meses se devem repetir esta operação para conservar a folhagem e o vinho nascido
  5. Pouco antes da colheita é preciso desinfetar as uvas com enxofre, para o que se usam as enxofradeiras.
  6. No fim de Setembro, mais dia, menos dia, haverá a colheita da uva – e aí começa o trabalho mais alegre.
  7. Depois de colhidas as uvas, são deitadas no lagar para serem pisadas, geralmente, pelos mesmos homens que as colheram. Em algumas casas, são raladas com ralador manual, sendo depois amassadas com pisões de madeira.
  8. Os trabalhos da pisada eram sempre acompanhados por música e cantares populares, levando cada pisador o seu instrumento
  9. Nas vindimas, homens e mulheres vestiam roupas de linho bordadas a vermelho
  10. Enquanto o agricultor anda na faina do vinho, o carpinteiro rural e o tanoeiro fazem e consertam as pipas para nelas se deitar tão precioso líquido
  11. Na adega, o vinho depois de fervido, será tirado com almudes ou cântaros de medida, e deitado nas pipas através de um funil de madeira ou folha
  12. Para se obter maior rendimento, prensa-se o bagaço que fica no lagar, com uma trave de madeira, com um fuso de rosca, e como peso, uma pedra cilíndrica. O vinho que se obtém designa-se por “vinho das torceduras” ,
  13. Finalmente, com as grainhas e o bagaço, obtém-se, por destilação, no alambique, a aguardente.
  14. Na cozinha, a dona de casa, prepara as refeições para todos os que trabalharam na vindima e na pisada. Os prátos mais característicos, eram:
  • Feijão guisado com massa e carne
  • Bacalhau frito
  • Nozes com pão.”
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